sexta-feira, 26 de dezembro de 2008

O Rio de Janeiro continua lindo

Galera, estou indo passar alguns dias na minha cidade. A todos vocês que acompanharam o Pitacos durante o ano, feliz 2009. E também a quem não acompanhou, ou a quem caiu de para-quedas aqui! (mas só se voltar a visitar o blog! hahaha)

Volto no dia 3 de janeiro, prontinha para o Dakar!

Beijos!

quinta-feira, 25 de dezembro de 2008

Bons Natais

Eu podia desejar um Natal cheio de luz, com muito amor, muita saúde. Podia desejar que o espírito de solidariedade, de carinho, aquele espírito típico de Natal reinasse no dia de hoje.

Mas, não. Desejo que o espírito de Natal, que o carinho, que o amor, que a saúde, que a solidariedade, que o encontro com a família, que tudo que aparece nesse dia tão especial, se multiplique em todos os outros dias do ano - como os discursos tão comuns nessa época, mas nunca colocado em prática.

Para vocês, então, felizes 365 Natais.

terça-feira, 23 de dezembro de 2008

Luz e lama

Não havia internet, água quente, Friends, microondas. Não havia luz. Também, pudera: choveu até dentro de casa.

O jeito foi se virar com água gelada, comida esquentada no fogão e velas. Espalhavam-se pela casa e, com elas, até foi possível ler alguma coisa. Não eram, porém, a única fonte de luz: aqueles aparelhos que tocam música, tiram foto, entram na internet e ligam para outras pessoas serviu também como fonte de luz.

Com isso, a família reuniu-se em um quarto e dormiu junta, mais por causa das filhas do que outra coisa. Os gatos também se aconchegaram.

Mais cedo, a chuva já havia parado a estrada, instaurado caos em vias de terra e transformado as ruas de asfalto em lamaçal.

Mas, no dia seguinte, tudo voltava ao normal. Com exceção da luz, que só apareceu a tarde, e da lama, que segue até não sei quando.

Ao homem lá de cima, agradeço pela falta de luz e pelas estradas cobertas de lama. Podia ser bem pior.

No team

A não ser que nas próximas 20 e tantas horas alguém encontre uma equipe para ele, Petter Solberg não correrá a primeira etapa do WRC de 2009, que acontecerá na Irlanda, no dia 30 de janeiro. Isso porque as inscrições para a prova encerram-se amanhã, dia 24, e o norueguês ainda não tem nada definido para a próxima temporada.

Alguém aí está disposto a dar esse presente de Natal para a família Solberg?

segunda-feira, 22 de dezembro de 2008

E vamos para o Dakar!

Em janeiro, daqui a menos de duas semanas, começa o Dakar - também conhecido por "Dakar", por começar e acabar em Buenos Aires e não ter Dakar, capital do Senegal, no roteiro.

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Ser na América do Sul tira, sim, um pouco de toda aquela magia que acompanha aquela prova nas últimas três décadas. Mas também faz com que tenhámos um grande número de brasileiros - eram sete motos, um quadri, quatro carros e dois caminhões, mas infelizmente dois motoqueiros (Tagino e Bianchini) não estarão presentes.
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Apesar de ser longe de suas origens, temos 542 competidores, nesta edição. Nas motos, os já tradicionais Despres, Coma, Viladoms, Casteu e Fretgne.
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Nos carros, a Mitsubishi - com Peterhansel/Cottret, Alphand/Picard, Nani Roma/Cruz senra e Masuoka/Maimon - vem com novo carro (ainda não tenho opinião sobre o novo Lancer e a antiga Pajero). Mas, esperem! Quem ficar com saudade do antigo carro, pode vê-lo com a dupla brasileira Guilherme Spinelli e Marcelo Vívolo, pela MMC Brasil. Taí uma boa forma de comparar qual dos dois carros é o mais bonito.
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A Volkswagen entra com quatro duplas: De Villiers (ou gnomo, como vocês preferirem)/Von Zitzewitz - passei o Sertões inteiro escrevendo o sobrenome deste ser e ainda erro a grafia! Quer saber? A partir de hoje, vou chamá-lo de Dirk; Depping (prazer)/Gottschalk - que, também devido à grafia, será chamado de Timo (mas não confunda-o com o Glock!); Miller/Pitchford e Sainz/Perin. Sainz, aliás, ganhou três provas de WRC na Argentina. Só curiosidade.
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Robby Gordon entra na brincadeira com um novo companheiro de equipe: seu pai, Bob, pilotará outro Hummer. Quando eu vi, achei que fosse brincadeira. Robby e Bob, Bob e Robby. Mas não. (Pra quem não lembra, quando Robby correu pela primeira vez no Dakar - 2003 ou 2004, não consigo me lembrar -, veio cheio de "é, eu sou o bom, sou o bom, sou o bom". Aí o cara se acidentou e acabou como piloto de apoio da Jutta. hahaha!)
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Nos caminhões, a cambada soviética formada por Loprais, Chagin e Kabirov está aí. Junto, também, com outros nomes conhecidos da categoria, como De Rooy e Stacey. E Azevedo, claro.
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Ao todo, serão 9.574 km, 5.652 km de especial. De Buenos Aires para Valparaiso, de Valparaiso para Buenos Aires. A cada etapa, o Pitacos estampará o percurso do dia, com quilometragem de especial, deslocamento e características do percurso.

Para quem quer tocer pelos brasileiros, cá está a lista:
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Motos
25 José Hélio Rodrigues Filho
39 Rodolpho Mattheis
58 Antonio Escobar
131 Dimas Mattos
133 Carlos Ambrósio
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Quadriciclo
274 Carlo Collet
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Carros
319 Jean Azevedo / Youssef Haddad
322 Guilherme Spinelli / Marcelo Vívolo
444 Paulo Henrique Pichini / Lourival Roldan
462 Reinaldo Varela / Marcos Macedo
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Caminhões
504 André Azevedo / Maykel Justo / Jaromir Martinec
525 Salvador Serviá Costa / Jadeílson Silva de Araújo / Giovanni Lima Godói
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E para quem não está muito interessado no Dakar, aqui vai uma notícia bastante relevante: o céu está preto pra caramba e eu não trouxe guarda-chuva. Nem casaco. Merda!.
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(A primeira imagem é do Lancer, da Mitsubishi, crédito para raid-live.com; a segunda, o percurso do rally, tirado do site oficial do Dakar. Cliquem para ampliar!)

domingo, 21 de dezembro de 2008

"O mundo é bão, Sebastião!"

Mais um Sebastião quer entrar pra brincadeira. Sebastien Ogier, campeão do JWRC deste ano, correrá as seis primeiras provas da temporada de 2009 pela Citroën. O guri competiu pela equipe no último rally deste ano, na Grã-Bretanha, e de cara conquistou a primeira especial e liderou até a SS5. Mais um nominho para a lista de competidores do ano que vem - que ainda deve incluir Gigi Galli. E mais um Tião que resolveu ser bom nesse negócio de automobilismo.

Sebastien. Meu filho já tem nome.

sexta-feira, 19 de dezembro de 2008

Tô indo...

... assistir Friends.

Quatro

A semana começou tão bem que, na quarta-feira, a primeira coisa que perguntei ao Pandini foi quem havia saído do WRC naquele dia. "Até agora, ninguém", respondeu-me.

Mas, de lá para cá, Citroën, Ford, Munchi's e, hoje, Stobart, todas reafirmaram o compromisso de continuarem no WRC. A Adapta continua naquele impasse com a Prodrive. Por enquanto, então, temos 4 equipes. Sébastien Loeb, Dani Sordo, Mikko Hirvonen, Jari-Matti Latvala, Frederico Villagra, Matthew Wilson e Mads Ostberg são os pilotos confirmados para 2009 - os três últimos continuam sem parceiros confirmados em suas respectivas equipes.

Ai, ai... às vezes me pergunto: o que será do WRC?

Ele vem!!

Aí eu, já desiludida com o mundo, entro no site e leio: "Central & South American Mini-Tour Announced". Com a emoção, as sinapses demoram e eu fico meio hora tentando lembrar em que parte da América fica o Brasil. South... south... que outros países poderiam tomar o lugar do Brasil no south? Chile, Argentina? Estão lá na lista, ao lado de Mexico e... Brazil!!!

Não entendeu porra nenhuma?

Eu explico novamente: foi em 2005. O filme, Closer. Não importa se ele era bom ou ruim - é excelente, pra quem ficou curioso. O que importa é que aquela voz estava lá, na primeira e na última cena.

Quer saber? Não vou contar a história de novo! Pra entender, clique aqui.

Eu chorei pra cacete. Fiquei feliz pra cacete. Puta que pariu, eu ESTOU feliz pra cacete!

É isso aí, povo. Damien Rice vem pro Brasil.

Estômago não-gaseificado

É tudo culpa da soda italiana. Não, é culpa da mocinha do Pizza Hut. Ou do dono do Pizza Hut, que inventou essa história de colocar soda italiana no restaurante.

Acontece que, certo dia, fui comer no Pizza Hut, pedi a tal da brasileira - naquela época não tinha esse troço de super fatia - e, como sempre, fiquei meia hora pensando no que ia beber. Aí a mocinha - guilty! - perguntou por que eu não pedia a tal da soda italiana. Respondi que não tomava coisa com gás - e não tomava mesmo! Mas ela insistiu e eu vi aquela coisa bonita e cheia de gelo. Pedi uma de tangerina.

Eu acho o seguinte: quando você não toma bebida com gás, seu estômago se acostuma à condição de não-gaseificado. O meu era assim. Por isso, tomei o troço em goles curtinhos. E metade ainda ficou no copo.

Só que eu gostei da brincadeira. E pedi outra vez. E outra. E outra. Nunca mais bebi outra coisa naquele bendito lugar. (Aliás, meia coisa, porque quando passo da metade do copo, meu estômago já está pedindo penico).

Outro dia deu um negócio na minha cabeça e eu tomei uma Coca-cola na hora do almoço. Passei o resto do dia me sentindo mal pra cacete!

Mas a gente aprende? Nãão!

Por isso que acabo de jogar meia latinha de Schweppes na pia. Ai, meu estômago!

quinta-feira, 18 de dezembro de 2008

Encheu o saco

"Que bonitinho!"

Deve ter sido mais ou menos essa a minha reação quando ouvi, pela primeira vez, Mallu Magalhães. É inegável que suas musiquinhas são fofas, doces, e gostosas de serem ouvidas. Mas daí a tudo que está acontecendo?

Para quem vive no mundo da lua nos últimos meses, vou explicar rapidamente: Mallu Magalhães, nascida Maria Luíza, lançou meia dúzia de músicas na internet, disse que tinha influência de Johnny Cash e Bob Dylan e pronto! Virou o hype da temporada. "Tchubaruba" virou hit. Coisa que não aconteceu com "Get to Denmark", que eu achei muito mais legal, mas não importa.

Há poucos meses, a guria - esqueci de falar: ela tem 16, igual ao João Alberto, que era o maioral, um cara legal, tinha um Opala metálico azul e era o rei dos pegas na asa sul - lançou seu primeiro CD. A capa é fofa, igual às músicas iniciais, igual a ela. Comprei e gostei do sonzinho. Diferente daquelas músicas que estavam na internet - que também se encontram no disco -, continuando naquele ritmo meio folk. Gostei, principalmente, da melodia das últimas músicas, que me lembraram um pouco o Damien Rice. No geral, aliás, todas as faixas são gostosinhas. Não curti "You know you've got", é um saco. As rimas são um saco - aliás, putaquepariu, qualquer palavra que soa como shoe ela rima com blues! Cacete! - e a pronúncia dela não convence - ruou? Seria world?

Acontece que, por mais que eu tenha o CD e ouça de vez em quando, Mallu Magalhães encheu demais! Cansei de ouvir falar sobre ela aqui, ali, acolá! É chato pra cacete! Principalmente porque, pelo que parece, ela parece ser muito mais mais daquelas atitudes "vamos dizer não ao sistema" do que cantora. Quer dizer, ela teria mesmo conquistado adeptos Brasil afora se não falasse que tem influência de Johnny Cash e Bob Dylan? (não, eu só achei bonitinho, mesmo). Imagino que meio mundo vai falar "Uau" quando ler o que ela falou na Rolling Stone deste mês.

(RS: Você está em semana de provas na escola?
MM: Foi semana passada, só que não consegui fazer algumas. A de química, deixei em brnco. Fiz um desenho conceitual, daí tirei zero. A de física, eu nem tentei, só escrevi um poema. Daí eu falei pro professor que não estava conseguindo fazer, que não tive tempo de estudar e estou com dificuldades em lidar com a pressão das provas. Meu sangue está realmente desinteressado. Minha memória é muito seletiva, minha cabeça é voltada para outros pensamentos, e não para conceitos impostos. E estou com dificuldade em lidar com o elemento autoridade).

Eu achei uma merda. Mas muita gente vai achar fantástico, menina cabeça pra caramba. Não acho que isso seja cabeça. Pode ser imaturidade, não saber lidar com toda essa história de conciliar fama e escola. Mas nada cabeça. "Desenho conceitual" porque a "cabeça é voltada para outros pensamentos, e não para conceitos impostos"? Blá, blá. Santa paciência!

Então, é isso: Mallu Magalhães é fofinha. Suas músicas são gostosinhas. Mas ela é um saco total.

Eu assisto e pronto

Sim, eu tenho o box com todas as dez temporadas do Friends. E, sim, eu já assisti à dez temporadas inteiras. Algumas, uma vez. Outras, duas. Três, quatro. Cinco.

O que importa é que 20h é horário sagrado. Pois é... eu não me contento em poder assistir aos episódios que eu quiser e quando eu quiser. Eu tenho que sentar na frente da TV às oito da noite para assistir Friends. E não é só isso: eu rio. Sim, rio! Rio das mesmas piadas que já ouvi duzentas vezes. Choro de rir, às vezes.

Patético, eu sei. Foda-se.

(Eu sei o que você está pensando agora: "ela não atualizou o blog antes porque estava assistindo Friends. E estava mesmo, tá bom?)

quarta-feira, 17 de dezembro de 2008

Cansei

Eu estava marcando os posts do blog. Cansei.
Eu ia colocar as fotos da viagem no álbum. Cansei.
Eu ia passar um CD pra MP3. Cansei.
Eu ia assistir a um filme. Cansei.
Eu ia postar aqui. Quase cansei.

Ufa! João Doria Jr. e Luiz Flávio D'Urso já podem contar comigo naquela brincadeirinha deles.

A saída da Subaru (2)

Aos fatos:

A Prodrive atuaria como uma segunda equipe da Subaru - mesmo esquema da Stobart e Ford. Com a saída da marca japonesa, a equipe ficou um pouco desamparada. Para correr entre os construtores, contaria com a ajuda da Prodrive. Caso isso não aconteça, provavelmente correrão apenas com Mads Ostberg. Caso consigam o apoio de David Richards, pode ser a salvação para Chris Atkinson e/ou Petter Solberg - o campeão mundial já anunciou que está junto com a Prodrive e a Subaru para encontrar uma solução. O que me leva a pensar uma coisa: a Apdata, equipe norueguesa, terá Morten Ostberg, norueguês, no comando, Ostberg jr., norueguês, em um dos carros, e Solberg, norueguês, no outro. Ui, imagina se a moda pega?

E Gronholm, que estava na dúvida se aceitava ou não o convite da Subaru para guiar um carro no ano que vem? Bom... creio que ele não vai precisar pensar muito na resposta.

A saída da Subaru

Verdade seja dita, a Subaru tinha motivos para dizer sayonara ao WRC. Depois do começo do domínio de Sébastien Loeb, vinha rolando ladeira abaixo. Verdade é, também, que David Richards já havia confirmado que o novo carro, S15, iria estrear cedo na temporada de 2009.

Chocou. Muito. Porque a Subaru era a equipe mais tradicional do WRC atual. Era a primeira equipe que vinha na cabeça quando se falava em Mundial de Rally. É a Subaru dos finados Richard Burns e Collin McRae e do semi-morto Petter Solberg. Em meu imaginário, era a marca suprema: no dia em que eu tivesse um Subaru Impreza WRX, não era necessário qualquer outro carro. Tudo porque só a Subaru conseguia me transportar de tal maneira às pistas mundiais.

Cabe pensar por que essa saída em bando do automobilismo. A Audi é exceção, mas as outras três - Honda, Suzuki e Subaru -, além da coincidência (?) de serem japonesas, não tinham resultado expressivo em suas categorias. A crise, então, poderia ser um bode expiatório. Para a Honda, claro, sair da Fórmula 1 foi uma economia monstra: ela gastava os tubos na equipe. Mas no WRC, a coisa é diferente. Primeiro, o dinheiro gasto é menor; segundo, o campeonato funciona muito mais como um desenvolvimento dos carros do que a Fórmula 1; terceiro, existe uma identificação com os veículos muito maior.

Portanto, valeria mesmo a pena sair do campeonato por causa da crise? Ou ela seria apenas uma desculpa?

segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

Mais uma

Eu perguntei, lá atrás, quando o WRC começaria a ser afetado pela crise. Hond caiu fora da F1, Audi disse adeus à Le Mans Series e à ALMS. E hoje a Suzuki said goodbye para o Mundial de Rally.

Que fique só nisso. A Suzuki, convenhamos, não foi lá um grande destaque do campeonato deste ano. Teve Per-Gunnar Anderson e Toni Gardemeister e seus melhores resultados foram dois quintos, com PG, nas duas últimas provas. Podia, sim, significar alguma coisa, já que foi seu primeiro ano no Mundial - ela vinha de triunfos no J-WRC, incluindo o campeonato do ano passado, que ganhou exatamente com PG. Foi uma brincadeira da montadora, como disse Flavio Gomes. Mas não acho que é motivo de crise - trocadalho do carilho, eu sei.

Fora ela, nenhuma das outras quatro equipes sinalizou qualquer coisa. Fui atrás até de ver se a Adapta realmente correria como segunda equipe da Subaru e não encontrei nada que negasse essa informação. Mads Ostberg será um dos pilotos da equipe - ela será comandada por seu pai, Morten Ostberg. O garoto foi campeão do norueguês de rally de 2007 e 2008 - garoto, ele é UM ano mais velho que eu! O segundo piloto parece que ainda não está confirmado, mas cruzo os dedos para que seja o jovem Mikelsen.

Espero que fiquei por aí. Não quero mais nenhuma baixa no WRC.

sexta-feira, 12 de dezembro de 2008

A escolha de Sébastien

Resolvi pôr meu francês em ação. Comecei por pronunciar o nome do jornal - Libération - maravilhosamente bem (creio que está entre a pronúncia em inglês e a em espanhol).

Tudo isso porque li no Tazio, anteontem, que Loeb - sim! Loeb, o muso oficial deste blog! - poderia partir para a F1 em 2010. Cá, que, cumá?

Resolvi ir ao cerne da questão. Entrei no site do bendito jornal e flanei pelas páginas na língua de Napoleão. Taquei em um tradutor on line - esses que só complicam as coisas - e fui lendo a entrevista - para quem quiser, clique here.

Não é segredo nenhum que Seb está descontente com as mudanças no regulamento do WRC - a esta hora, por exemplo, deve estar xingando os caras da FIA por decidirem pelos carros com especificações dos S2000. Junte isso a toda história da limitação de pneus (que gerou revolta ainda maior por parte do francês após o rally da GB) e voilà!

Cheguei à seguinte conclusão: próximo ano será uma temporada no estilo "ou vai ou racha" para Sébastien. Seu contrato com a Citroën acaba em 2009, e ele usará este tempo para medir as coisas. Vale a pena ficar nesta categoria? Que ele será campeão, não tenho dúvidas. Mas, e depois?

Acho que, se ele deixar de ver emoção em pilotar, pára com o mundial. Sébastien gosta do que faz, e, para um piloto, estar em um carro que não tenha graça enfrentar é exatamente isso - não tem graça. E Loeb não parece ser do tipo que correria se não tivesse graça. Além do mais, sendo o bom piloto que é, conseguiria vaga em outras categorias do automobilismo - não acho, porém, que seria na F1; ele terá 36 anos em 2010 e, sorry, mas a categoria hoje em dia está cada vez mais nova. Se entrasse, seria em uma equipe mediana, e aí esbarraríamos no mesmo problema: ele encontraria tesão em pilotar?

Não, o futuro dele não será na Fórmula 1. No WRC? Não boto minha mão no fogo.

quinta-feira, 11 de dezembro de 2008

E Loeb cortou

Sébastien Loeb enfim se rendeu à pressão de Morrie Chandler, presidente do WRC, e Surinder Thatti, dirigente da Confederação dos Países Africanos no Automobilismo. Em junho, esses dois seres - invejosos, só pode ser - entraram em campanha para que o pentacampeão mais lindo que já existiu cortasse o cabelo.




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(clique nas fotos para ampliar)
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Como vocês podem ver, nosso muso está com algumas madeixas a menos. É uma pena, mas não importa muito: não existe jeito desse cara ficar feio. Só um pouco menos maravilhoso.
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(fotos from Tazio)

As lições do orkut


Orkut. Sempre colaborando para a educação das pessoas!

quarta-feira, 10 de dezembro de 2008

Diálogo

- O Corinthians tá subindo e contrata um jogador que está em decadência?

- É, aí eles se encontram no meio do caminho.

- Mas quem será que vai ser puxado? O Ronaldo para cima ou o Corinthians para baixo?

- Ah, pára de agourar, vai!

(Agora o Corinthians tem um time de peso)

segunda-feira, 8 de dezembro de 2008

Uma pergunta

Como a Subaru conquista quatro pódios em seis corridas e, já com o Impreza WRC2008, faz dois em nove?

AQUELES dias

Não existe coisa boa em ficar menstruada. E nem vem com aquela história de que é por que as mulheres tem o dom de gerar a vida, e blá, e blá, e blá. Esse lenga-lenga não me engana. Quer dizer que pelo simples fato de um dia, quem sabe!, eu possa ter um filho, eu tenho que ficar sangrando uns quatro dias por mês? Faça-me o favor...

Os comerciais de absorvente sempre foram um tanto surreais nesse aspecto. Até hoje. Acabo de ver uma propaganda de uma marca que questiona exatamente dois pontos super imaginários desses anúncios - são três perguntas, na verdade, mas a segunda é sobre o líquido azul, o que não vem ao caso.

1 - Por que as marcas de absorvente insistem em mostrar a moçoila usando calça branca nesse período?
2 - Por que acham que a mulher, nesses dias, vai estar pulando feito uma gazela saltitante?

Publicitariamente essas questões tem explicação, creio eu. Mas são fatos totalmente fantasiosos!

Como uma mulher vai andar de calça branca quando está menstruada? Impossível! Imagina você ficar com uma espécie de bandeira do Japão na bunda? No way! (se você é mulher, entrou nesse blog e é uma das exceções que comprovam a regra, please, leave a comment e explique como você consegue, fofa.)

Primeira questão resolvida.

Agora, me diz... que mulher, quando está menstruada, sente-se com pique para ir pra academia, trabalhar, ir pra balada e pans? A primeira coisa que faço no primeiro dia é ver se é sexta-feira - e normalmente é, thank you, Schering! Se não for, putaquepariu! A única coisa que você tem a fazer é se resignar e ir para a luta. Ô, saco! É horrível. Você passa o dia inteiro desejando chegar em casa e se trancar. Agora, se o fim-de-semana estiver chegando, já dá pra fazer isso! Aí é só trancar a porta do quarto e passar o dia ali.

Por isso, sem esse mundo fantástico das propagandas de absorvente. Acho que todos devem aderir a essa onda de anúncios verdadeiros, com fez essa marca.

Só não consigo entender uma coisa... qual é a utilidade de abas transparentes?

domingo, 7 de dezembro de 2008

Fim

E acabou a temporada de 2008 do WRC. Com mais uma vitória de Sebastien Loeb, ÓBVIO! O francês levou uma penal de 10 segundos, mas mesmo assim terminou o Rally da Grã-Bretanha 2.7s à frente de Jari-Matti Latvala - depois, a organização chegou à conclusão de que o francês não havia largado mais cedo e tirou a penalidade.

Foram onze vitórias na temporada, quebra do recorde, também estabelecido por ele. Re-afrimação da genialidade da parceria Loeb/Elena/Citroën.

Mas, apesar no resultado previsível, não foi uma temporada "relax". Por isso acho que ano que vem promete. A supremacia desse trio não cairá, mas vai ser difícil fazer onze vitórias - ainda mais porque a próxima temporada só terá doze provas.

sexta-feira, 5 de dezembro de 2008

E o colírio?

"O pior dessa história toda é que o Button pode não estar na Fórmula 1 ano que vem!"

Graças a Deus a Toro Rosso parece ter notado esse absurdo: o Grande Prêmio informa que Button pode treinar pela equipe ainda neste ano.

Então um dos maiores colírios da Fórmula 1 ainda não está fora do páreo!

Eu sei...

... que a saída da Honda na F-1 é uma coisa séria no automobilismo (e no mundo, economicamente falando), mas ela não deixou as homes do Grande Prêmio e do Tazio mais bonitas?

Pitaco reflexisivo pós-Honda

O site Gran Prix fez uma análise da situação econômica de Toyota, BMW, Mercedes, Ferrari e Renault. A primeira teve queda de 34% das vendas nos EUA. A segunda, 26,7%. Terceira, 30%.

Mas não é só isso. A Audi anunciou hoje que não correrá na American Le Mans Series nem na Le Mans Series. Continuará apenas nas 12 horas de Sebring e nas 24 horas de Le Mans (ufa!).

A indústria automobilística está sofrendo forte com a crise. A essência do automobilismo é o carro.

Ficam três perguntas:

Quanto o WRC vai sofrer com a crise?
E o automobilismo brasileiro, que já vai mal das pernas?
Se a Honda está em um processo forte de redução de custos, o que será da Indy??????

quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

E agora?

Victor Martins, Bruno Vicaria, Flavio Gomes, Fábio Seixas, Marcus Lellis, Rodrigo Mattar. Uma parcela pequena de pessoas que estão com dedos em posição de ataque, olhos e ouvidos atentos ao medor ruído, músculos tensos e que dormirão pra lá da meia-noite.

"É tipo quando um presidente renuncia", foram as palavras do colega Andrei, do Tazio.

Mas janelas não pipocaram no msn, Damien Rice não tocou feito louco no celular, o trim do telefone não se fez ouvir. As ruas não foram tomadas por uma multidão sem rumo.

Dará meia-noite e meia e os caras citados lá no começo estarão na frente do computador, a espera do veredicto final. E quando ele vier, questionarão o que acontecerá agora, qual será o futuro. Porque isso pode ser apenas o começo, a ponta do iceberg.

Mas o mundo não grita, não especula, não se preocupa.

Não se preocupa porque, para muitos, não faz a mínima diferença se a Honda fica ou não. Para outro, é uma pequena tristeza porque Bruno Senna era cotado para uma vaga, é chacota porque Rubens Barrichello ficará a pé, mas é apenas isso.

Para outros, é o alarme de que dias difíceis virão na Fórmula-1.

Mas nada parou por causa disso.

Fui atrás de algumas pessoas pra falar do rally. Onde entra o off-road nessa parada. "Olha, até o momento não tem tantas especulações", disse-me alguém. "Eu acho que o rally se adaptou melhor à redução de custos que a Fórmula 1".

E se for um efeito dominó? Cai um, cai outro, e outro, e outro?

E agora? E, o que mais rondou a minha cabeça, o que seria da gente?

Nada. Migraríamos do automobilismo para outro meio. Não falo de fãs, torcedores, ou outra coisa assim. Falo daquela lista inicial, que dormirá depois da meia-noite, que criará especulações a respeito do futuro da F-1, do automobilismo geral.

Migraríamos porque, afinal, não vivemos para o automobilismo. Somos jornalistas, seja nas pistas ou em qualquer outro lugar. Seguiríamos com nosso trabalho em outra área, nos envolveríamos com outros assuntos.

Seria, sim, bem triste. Mas não seria o fim do mundo. Não seria o fim de nós, nós continuaríamos a existir na guerra, nos problemas da cidade, na ciência, na cultura, na economia, em tudo.

E não apenas como profissionais. Não acabaríamos como pessoas. Ficaríamos desnorteados, aquela coisa de "e agora?", mas continuaríamos vivos, batalhando.

A Honda pode sair da Fórmula 1. Podemos passar a noite em claro esperando mais notícias. Pode ser o prenúncio de que entraremos em época de vacas magras. Mas não vai acabar. E não por um ideal romântico do esporte e blá. Conversa para boi dormir. Isso, como muitas coisas no mundo, gira em torno do financeiro. E se uns caem no prejuízo, outros continuam lucrando. E, enquanto houver lucro, não acaba.

Mas, e se acabasse? E se não existisse mais a F1, o WRC, Le Mans, Indy, nada?



O automobilismo não é tudo. Aliás, é muito menos do que acha que é.

Trabalho de formiga também serve (2)

Éramos dezesseis pessoas. Das onze da manhã às quatro da tarde éramos daquelas 69 crianças, uma média de seis por pessoa. E andamos em trilha, pulamos amarelinha, almoçamos, pintamos unha, brincamos de massinha. No fim, é o que elas mais querem: alguém que dê atenção, que estique a mão para andar por aí, que pule, dance, ria. E foi com beijos e abraços bem apertados que nos despedimos da criançada do Lar do Caminho.

Histórias como as de Santa Catarina causam uma comoção sem tamanho nas pessoas. Todos param para colocar alguma coisinha pelas milhares de caixas espalhdas pelo Brasil. Mas, quando tudo isso acaba, esquecem-se que não são só os catarinenses que precisam de ajuda. Ali do lado, bem mais perto do que Itajaí, existem crianças que precisam de ajuda. Ou animais. Ou velhinhos. Eles passam despercebidos naquela onda de solidariedade para com os grandes desastres. E continuam anônimos nos tempos seguintes. Não aparecem na televisão, mas suas casa podem estar tão destruídas quanto as daquelas pessoas na enchente. Muitas vezes, nem casas têm. Não estão sujeitos à leptospirose - será? -, mas muitas outras doenças estão de olho neles.

Não é só Santa Catarina que precisa de ajuda. Pelo Brasil, ao lado das caixas de donativos, às vezes existe uma pessoa que precisa muito mais daquilo. E ninguém está disposto a doar uma mísera garrafa de água a ela.

Doe o que você puder. Dinheiro, comida, roupa, tempo. Às vezes apenas o seu tempo já faz uma grande diferença. No Lar, por exemplo, é o que as crianças mais querem. Alguém que passe algumas horinhas para brincar.

Então, galera, quando acabar a história de Santa Catarina - e por que esperar acabar? - vamos olhar para o nosso lado, só uma viradinha de cabeça, e esticar a mão. Não precisa ser muito. Só precisa ser com carinho. Lembrem-se: trabalho de formiga dá uma ajuda danada.

quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

No gol

Um dos grandes orgulhos da minha vida é vestir a camisa 1. Já falei dessa historinha aqui, quando fui convidada para jogar um campeonato. Não ganhamos, mas isso não importa muito.

O fato é que jogar nessa posição tão desprezada me deixa de peito inflado. Modesta parte, ser goleiro não é para qualquer um. Nas raras vezes em que assisto a um jogo de futebol, torço mais para o goleiro do que qualquer outra coisa. Não importa se for a final de um campeonato, São Paulo X Corinthians. Se o Felipe (é esse o nome do mocinho corintiano, certo?) fizer uma defesa espetacular, vou vibrar mais do que se algum sãopaulino balançar a rede. Não é questão de virar a casaca: levo o amor por esse posto acima de qualquer time.

Pois saiu no UOL que Iker Casillas, um dos ídolos dessa blogueira, recusou uma oferta milionária: o Manchester City ofereceu um salário anual de 13 milhões de euros e 150 milhões pelo passe do jogador. De acordo com o site, essa proposta "bate todos os recordes existentes no mundo do futebol". (A matéria está aqui, para o deleite da galera)

150 milhões de euros por um goleiro. A gente é foda demais.

terça-feira, 2 de dezembro de 2008

Não veja

Rola até uma certa ansiedade: "o que será que a Veja vai colocar como matéria de capa nesta semana?"

Não que ache que alguma edição vá superar aquela. Qual? Aquela em que o Tio Sam segura umas notas de dólar, aponta para o leitor e que tem a frase "Eu salvei você!" escrita bem grande, em letras maiúsculas. Aquela que também gerou uma das capas mais fantásticas da CartaCapital, com o mesmo Tio Sam segurando as notas, em chamas, e a frase "Ele não salva ninguém" escrita bem grande, em letras maiúsculas.

Capa que não só mostra quão tendenciosa é Veja, mas que também deixa claro que, para muitos, a revista virou motivo de piada.

Podia não ser assim. Podia ser uma revista séria, com matérias boas e sem Che Guevara cheirando a porco. Assim merecia ser a revista com maior vendagem no Brasil.

Mas não. Prefere estampar em sua capa a foto de uma criança morta nos desabamentos de Santa Catarina. Prefere mergulhar nesse sensacionalismo tosco e ridículo.

"Indispensável"? Nada. A Mad voltou ao Brasil.

sábado, 29 de novembro de 2008

Trabalho de formiga também serve

Aprendi com a minha mãe a valorizar todo e qualquer esforço para fazer o bem. "Eu acredito em trabalho de formiga", constuma dizer a senhora Roldan.

Digo isso porque às vezes as pessoas - e me incluo neste grupo - se pegam pensando: "putz... tem gente mandando toneladas de doações para Santa Catarina, que diferença vai fazer o meu quilo de alimento?"

Eu respondo: muita. Porque se todo mundo pensar assim, o um quilo vira dois, três, dez, cem, mil. Por isso, doe o que e o quanto você puder. No momento, o que mais estão pedindo são produtos de higiene, como escovas e pastas de dente, fraldas, absorventes, sabonetes, etc. E água potável, também.

A Folha Online publicou uma lista de locais que aceitam as doações. Fora isso, muitos condomínios, prédios e colégios estão fazendo campanha. Para quem mora perto de Erechim, o EAEC (Erechim Automóvel Esporte Clube) está fazendo coleta de donativos em sua sede - quando tiver o endereço, publico aqui.

Vamos lá, galera. Trabalho de formiga dá uma ajuda danada.

sexta-feira, 28 de novembro de 2008

L.T., piloto de kart


Ok. Pode parecer besteira, babaquice ou qualquer outro adjetivo que vocês queiram dar. Mas que, na primeira olhada, é estranho ver Luis Tedesco, campeão de Rally de Velocidade um milhão de vezes - hiperbolicamente falando, é claro. Acho que foi umas onze, o que também já é grande coisa -, no meio de uma corrida de kart, isso é.

(E isto me deu uma idéia...)

terça-feira, 25 de novembro de 2008

Três anos sem Burns

Por anos procurei uma miniatura de Subaru de 2001, Richard Burns e Robert Reid em seus vidros, campeão. Entrava em todas as lojas possíveis para achar o carrinho azul daquela marca tão tradicional no mundo do rally. Entragavam-me um de Tommi Makkinen, 2003 ou 2002, mas não era aquele que eu queria. Queria o de Burns.

Richard Burns que, indo para o Rally de Gales - de novo ele! - de 2003, desmaiou a bordo de seu Porsche e foi salvo por Markko Martin - de novo ele!

Dias depois, o piloto foi diagnosticado com um câncer no cérebro. Passou por quimio e radioterapia e foi operado em abril de 2005, com sucesso.

E eu indo atrás do Subaru azul.

Chegou novembro. Em 25, desligou-se deste mundo.

Chorei. Tinha ainda a esperança de vê-lo voltar às pistas, um cavaleiro inglês junto ao seu veículo azul. Não o veria mais.

Hoje, faz três anos da morte de Burns. Não achei o Subaru azul, também não mais o procurei. Então, prometo: voltarei a procurar aquele carrinho, Burns e Reid, 2001, campeão.


Loeb e Sainz durante a festa de gala da FIA de 2003, ano em que foi diagnosticado o tumor de Burns.
Crédito: JUWRA

Espinhas a bordo

A última etapa do WRC acontece entre os dias 5 e 7 de dezembro. Verdade seja dita, o que está em jogo é o terceiro lugar, disputado por Dani Sordo, Jari-Matti Latvala e Chris Atkinson, com 59, 50 e 50, respectivamente. Olhos também em Sebastien Loeb, que pode bater o recorde de vitórias ganhas na mesma temporada - ok, o recorde atual é dele (10), bem como o anterior (8).

Pois hoje, dia 25, Tom Cave passou no teste prático. Não, ele não estava fazendo aulas para auto-escola. Cave - que, por sua origem, creio que não se pronuncia Queivi - é natural da Letônia, aquele país localizado entre Estônia e Lituânia. Coincidentemente, ele estreará na mesma prova em que um piloto oriundo da mesma região perdeu seu navegador: foi no Rally da Grã-Bretanha que Michael Park, co-piloto de Markko Martin, morreu, levando o estoniano a encerrar temporariamente sua carreira - ele correu o Richard Burns Memorial Rally deste ano junto a Robert Reid, ex-navegador de Burns.

Coincidências e saladas de fruta a parte, não é o fato de ser da Letônia que faz o ruivinho merecer atenção - ou não somente isso. Tom Cave tem 17 anos. Exatamente: dezessete. No país Balcã, a pessoa pode começar a dirigir carros de rally com 15.

"Nosso objetivo no Rally de Gales é simples: levar nosso Ford Fiesta ST para o final, de preferência sem usar o SuperRally [aquela regra em que um carro pode voltar à corrida no dia seguinte sem ter completado o dia anterior]. Completar a prova na minha primeira vez, nas mesmas especiais que os melhores pilotos do mundo, seria um passo incrível para mim e um resultado perfeito desses dois anos de competição na Letônia", disse foguinho ao site oficial do WRC.

O rally está ficando cada vez mais jovem...

Parabéns, parabéns e parabéns!

O tempo vai passando e a gente fica naquela: amanhã eu falo sobre isso. E nessa história de adiar, acabei não falando de algo que me deixou extremamente feliz.

Há um pouco mais de uma semana, duas pessoas super queridas por essa blogueira conquistaram o campeonato brasileiro na categoria N2: Bernardo Koller e Sidinei Broering. A vitória deu-se na aprazível Severiano de Almeida, cidadezinha perto de Erechim e muito lindinha. Foram quatro vitórias em oito provas: Erechim, Divinópolis, Estação e Severiano.

Confesso, não acompanhei quase nada do CBR neste ano - entrará para a lista de campeonatos que pretendo acompanhar em 2009. O que foi uma pena, pois marcou a volta de Bê ao campeonato depois de vários anos sem guiar durante a temporada inteira. E que volta!

Bernardo entrou em uma espécie de vestibulinho, mais ou menos parecido com o que está acontecendo entre Di Grassi e Senna. Agradou a galera da GM, entrou ao lado de Sidão e, sete meses depois, levou a taça.

Vitória mais que merecida. Para os dois. Parabéns!

Sem graça

Quando chegamos a Interlagos, o Esporte Espetacular mostrava uma entrevista com Bruno Senna. Quer dizer... entrevista, não. Era Senna arrumando a mala, dirigindo o carro, jogando ping-pong (tênis de mesa?), tudo. E testando a Honda. Vestindo macacão, vestido com o macacão, caminhando pelos boxes e, ah!, andando de carro também.

Aí, por não mais que um minuto, aparece ele. Ele quem? Papai Noel? Coelhinho da Páscoa? Suri Cruise? - tá certo, eu disse ELE, mas não tinha como não incluir o bebê mais chato do universo. Não!

Lucas Di Grassi.

(Fiquem com aquela cara de "quem é esse?" enquanto eu escrevo o resto)

Mais tarde, durante o Fantástico, Rubens Barrichello concede entrevista a Patrícia Poeta e, óbvio, diz que será um erro se Bruno Senna for para a Honda.

(Por que óbvio? Bom... se aparece um garoto que está cotado para tomar o seu lugar e você não tem nem pra onde correr, você vai falar "fica, meu filho... você merece!"? Vsf!)

E aí - mais óbvio ainda - aparece Bruno Senna, que está concorrendo com Barrichello pela vaga na escuderia. Touchè! Cadê Lucas Di Grassi? Ninguém sabe, ninguém viu.

Nesse meio tempo, o moleque apareceu em Interlagos. Caminhou pelos boxes, conversou um pouco, disse que a Honda ainda não decidiu, os dois - ele e Bruno, não Bruno e Barrichello - fizeram testes satisfatórios, devem ir para Jerez de La Frontera no começo de dezembro, e blábláblá (o Grande Prêmio traz uma entrevista com o garoto)

Ali estava, um brasileiro com chances de entrar na Fórmula 1 ano que vem, que fez um puta campeonato na GP2, e ninguém dá bola. Fosse o primeiro-sobrinho, Interlagos estaria um caos e a primeira-emissora estaria lá com uma equipe de jornalistas para acompanhar cada passo de Bruno.

É de dar nojo. Claro, Di Grassi não tem o sobrenome. Ele não é um Senna. Pode ter feito um campeonato melhor que o de Bruno - ok, Senna foi vice-campeão e Lucas "apenas" o terceiro? O guri não correu as TRÊS primeiras rodadas e chegou a UM ponto do Senninha.... - mas é um Di Grassi. E, por causa disso, é esquecido pela mídia brasileira.

Quero ver como ficarão certas emissoras se for ele o escolhido...

segunda-feira, 24 de novembro de 2008

Ora, pois

É fato que inúmeras vezes cadastamos nosso e-mail em sites e afins e passamos a receber periodicamente newsletters e coisas desse tipo. Também é fato que, movidos pela preguiça, não nos "descadastramos" e continuamos com a rotina de recebe-apaga, sem nem olharmos do que se trata. Mas dessa vez tive que conferir.

O e-mail vinha assim: "A Honda antecipa a chegada do Pai Noel". Primeiro, nunca comprei um ou uma Honda. Segundo, Pai Noel? O bicho ficou formal desse jeito? Na minha época era Papai Noel, daquele jeito fofinho que só as crianças sabem falar.

Cliquei. Lá estava:

"Natal é quando a Honda quiser
Antecipe a chegada do Pai Noel:
até 30 de novembro, dê uma Honda a si próprio
Desde 99 euros/mês"

Fui conferir o endereço e confirmei o que suspeitava: o anúncio vinha de Portugal. Mais: vinha da Motorpress de lá, e associei a propaganda com as constantes mensagens sobre a última edição da Autoesporte.

É claro que tenho toda a intenção de falar com Francisco Inocencio para reservar um quadri para mim. Será que a DHL enterga?

quarta-feira, 19 de novembro de 2008

Hazelnut

Eram nove da manhã. Parei na Paulista, entrei no Center 3 direto para a Starbucks e entrei na fila. Quando a atendente perguntou o que eu queria, discursei quase que mecanicamente o pedido de sempre: um café mocha tall com... com? A palavra se perdeu. Veio à minha cabeça a hazelnut. E de hazelnut lembrei-me de Manoel de Barros falando dos pássaros e da língua mãe, porque hazelnut não queria dizer nada para mim, era uma palavra sem essência e cor, apenas um sabor colocado em um café já sem muito gosto de café.

Mas logo descobri que hazelnut tinha, sim, um significado. Hazelnut me trazia à mente a viagem para Chicago, a manhã seguinte daquele longo dia, o dia da caminhada em volta do Chicagoland Speedway, do choro, da ligação pro Panda, sentada no chão da estação de Joliet, de mais choro ainda, dos soluços, da vontade de desistir, do apoio que recebi, e, mais calma, da ligação para o Fábio, dos esboços de risada, do embarque para Chicago, de mais um pouco de choro, da cabeça cheia, das perguntas que vinham à mente, da única semi-refeição do dia, do quarto vazio, da noite mal dormida.

E aquela manhã seguinte do despertador tocando cedíssimo, da cabeça ainda doendo, da calça jeans, da blusa de botão, da blusa de lã, da saída do hotel, do táxi pra a La Salle Street Station, da caminhada para a Starbucks, do Mocha tall with hazelnut, da Chicago deserta no domingo de manhã, só um cara de bicicleta na rua, do estômago revirado pelo medo e nervosismo, do vento na estação, a mulher avisando que eu podia entrar, do trem em que embarquei quatro vezes, todas elas sentada na parte de cima do vagão, do caminho para Joliet, das casinhas, das estações passando uma atrás da outra, da chegada ao autódromo, do e-mail do Panda e da Alê - acho que nunca agradeci por aquelas palavras que me deram tanta força.

Uma manhã em que ainda estava meio hesitante, meio insegura, uma insegurança que nunca tinha sentido antes. Na cabeça, só as palavras daqueles três, acho que não teria ido se não fossem eles, não teria visto Raphael Mattos sendo campeão, Antinucci secando os olhos pelo título perdido de tal forma, a corrida mais fantástica da minha vida, Dixon campeão, Hélio Castroneves em, provavelmente, uma de suas últimas corridas pela Penske - ou seria na Indy?

Teria deixado de lado a perda do ônibus para a estação, o táxi que demorou uma eternidade, tanto que as equipes já tinham ido embora quando consegui sair daquele autódromo no fim do mundo, mas o taxista estava feliz porque Scott Dixon tinha sido campeão, e me explicou que seu carro era número 9 e o pessoal da Ganassi tinha dado a ele um boné da equipe, disse que tinha vindo para o Brasil quando fazia parte das forças armadas, que visitou o Rio de Janeiro, minha cidade, e riu quando eu voltei porque tinha esquecido o bilhete do trem dentro do carro.

E, já no escuro, esperei o trem chegar, entrei, vi as sombras das casinhas e estações do caminho de Joliet para Chicago, e senti por não poder voltar para aquele lugar. Meu coração já começava a sentir saudades daqueles dias, e no lugar do choro da noite anterior, sorri. Sorri e agradeci por todo o apoio que tive de tanta gente nesses anos, dos treze aos dezenove dá seis, então já são seis anos que amo o jornalismo, e nesses seis anos pude contar com pessoas como o Fábio, o Panda, a Alê, o Betto, o Denis, o Ric - listas são ingratas, sempre esquecemos alguém, mas sei que as pessoas sabem a importância que tiveram na minha vida.

Voltei, dormi (mal) e acordei para uma Chicago chuvosa. Percebi que poderia ter domingos como aquele o resto da semana, podia pegar novamente aquele trem para Joliet, partir para o Chicagoland Speedway, ver aquela corrida de novo e de novo, e pegar o taxista #9, o trem, Chicago, tudo.

Acordei para a manhã fria de São Paulo, a hazelnut na cabeça. Hazelnut tinha essência, tinha aquela manhã seguinte, aquele dia anterior, aquele fim de semana, tudo aquilo que, de tempos em tempos, passa pela minha cabeça como se fosse um filme, e eu assisto e assisto àquele filme sem me cansar, querendo ver as cenas nos seus mais íntimos detalhes.

Foi por tudo isso que, por uma fração de segundo, esqueci a avelã. Ela não tinha todo o significado de hazelnut.

terça-feira, 18 de novembro de 2008

Akinator

Descobri o site por culpa de Victor Martins. Fui burra o suficiente para clicar no link colocado no blog Victal e descobri o incrível mundo de Akinator. Confesso, não estava lá com muita criatividade para personalidades. Cravei um Sebastien Loeb e o bichinho acertou. Normal.

Pois hoje estou na faculdade quando chega um colega e diz: a gente tem que entrar nesse site! O gênio adivinha tudo!

Na hora perguntei se era o Akinator. Respondeu que sim.

Entramos, e então descobri aquilo que todos comentavam. Bongô. O tal gênio acertou o Bongô, personagem clássico do mais clássico ainda Castelo Rá-Tim-Bum.

Chega a dar medo.

segunda-feira, 17 de novembro de 2008

Vida que segue...

Uma semana sem dar sinal de vida nesse espaço. Não estaria mentindo se falasse que é a falta de tempo, mas também não seria toda a verdade.

Foi o mau-humor que grudou em mim lá no começo do mês e me acompanhou até segunda ordem - saí distribuindo patada, não sei como certas pessoas me agüentaram. A elas, mil desculpas, novamente.

Mas não deixou de ter momentos gostosos: como a festa, na terça-feira, que reuniu uma galera divertida. A premiação, como sempre, foi indo, indo, indo, até a hora em que toda a família Massa estava no palco e eu resolvi me trancar no banheiro. Mas que também teve - ou melhor, não teve - Hélio Castroneves, vencedor em sua categoria e que não pôde comparecer pelos pequenos problemas envolvendo o fisco estadunidense. E que contou com a presença do ilustre João Gabriel, menininho de oito anos que não dormiu até vero piloto da Ferrari. E o ponto alto, o encontro com Marcos Torkaski, parceiro virtual em bolões e fóruns da vida. Que de vez em quando acessa esse espaço, e pra ele deixo um beijão!

Ou como o dia seguinte, segunda fase do GE, na qual, devo salientar, não fui bêbada - ah, não, mas a pergunta era o depois da festa, né, Martins? Tarde que me deixou com uma certeza: nunca mais esquecerei o primeiro nome de Nakajima (KAZUKI!!!)

Ou, pra ir mais longe no tempo, o encontro com Denis de Almeida, há uns dez dias, jornalista de quem já falei algumas vezes e que é um dos responsáveis por eu ter escolhido essa profissão. Que faz com que eu sinta aquela saudadezinha boa da época da Universo Rally, quando falava com ele, com Ric, com Stefan ou seja lá quem estivesse naquela editora, e que ficava ouvindo os planos para o futuro com toda a paciência que merece uma menina de 13 anos.

A gente vive imaginando o futuro e, quando ele chega, fica nessa nostalgia.

segunda-feira, 10 de novembro de 2008

Mcgayver explica

O café já estava prontinho, me preparava para tomá-lo quando comecei a ouvir aquele barulho de água, vindo do banheiro.

Especializada em assuntos hidráulicos, fui checar o que estava acontecendo. Levantei a tampa e fiquei olhando. A água não parava de jorrar. Tá, não jorrar como um chafariz; ela vinha na proporção certa para uma descarga, só que constantemente, tão entendendo? Eu disse que era especializada em assuntos hidráulicos - bem como seus jargões. Caramba, o negócio estava vazando, pronto!

Puxei uma válvula, nada. Tentei mexer no parafuso, nada. Aí vi a bomba e puxei-a para cima. A água parou. Soltei, voltou. Puxei, parou. Soltei, voltou.

Fiquei segurando aquele negócio, imaginando o que faria. Lembrei da sacola do Pão de Açúcar em cima da mesa - tive que passar no mercado para comprar as carolinas da Alê, fruto de uma aposta perdida... humpf...

Prguei a sacola, fiz uma "lingüicinha" e puxei a haste da bomba. Depois, prendi o plástico com a tampa da privada.

Não sei como vou usar o negócio, mas que a água parou, parou.

sexta-feira, 7 de novembro de 2008

Vambora votar, galera!

O Gabriel Pandini está fazendo uma enquete excelente em seu blog, o Saco de Batatas. Eu já votei! Dá uma passadinha lá, vai!

quinta-feira, 6 de novembro de 2008

Habemus Obama

"Os estadunidenses estão sempre tentando fazer a coisa certa, após terem tentado todas as outras alternativas" Winston Churchill

Em uma das noites em Memphis, fomos a um barzinho assistir a um cover do Elvis. Cantamos, rimos, nos divertimos a beça. Mais para o finalzinho, o cara começou a falar a falar da época em que o Presley estava no exército. "Eu tenho orgulho dos militares", disse Joe - tenho quase certeza que era esse o nome do cara.

"Ah, não", pensei.

"Me orgulho desses homens e mulheres que partem para o deserto em busca da democracia e liberdade!"

WTF?

E aí, depois de todo esse ode aos militares no Iraque, veio "An American Trilogy". Adorava - como adoro até hoje - o instrumental da música, bem como a emoção com que Elvis a canta. Mas, confesso, nunca tinha parado para entender o real significado da música.

Aposto: fui procurar na Wikipedia. Me diz o site que a canção é um medley de três músicas - isso acho que não é difícil saber: duas delas têm relações com a guerra civil estadunidense.

Quando o cara começou, a "estadunidensenada" inteira levantou e botou a mão no peito. Os caras ficavam olhando feio para nós, irlandeses, brasileiros e australianos, que permanecemos sentados durante a música inteira.

Já no finalzinho, veio uma luz vermelha e azul, a bandeira dos EUA atrás do palco e os aplausos entusiasmados da galera. Chocante.

Isso me fez lembrar de uma coisa que Fernando Canzian, repórter especial da Folha de São Paulo, disse certa vez: as pessoas não conhecem a cabeça dos estadunidenses. Fala-se nos grandes centros, mas ninguém pensa em cidades mais "de interior". Memphis não é uma cidade interiorana, mas tem a aparência de tal quando comparada com Chicago, por exemplo.

Naquela hora, minha confiança em Barack Obama titubeou. Será que ele ganharia mesmo? Ou Canzian estava certo ao - infelizmente - apostar em John McCain?

A quarta-feira acordou mais leve. Um aroma de mudança estava no ar. Obama estava eleito. O mundo inteiro começou a sinalizar sua satisfação pela eleição.

Foi lindo.

Habemus Obama.

segunda-feira, 3 de novembro de 2008

Quando a França bate a Finlândia

1986, Juha Kankkunen ganha seu primeiro título no WRC. 1987, o segundo. 1991 e 1993, terceiro e quarto. Torna-se, a partir daí, o piloto com mais Mundiais na bagagem.
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Veio 1996, veio o primeiro título de Tommi Makinen. O segundo. O terceiro. O quarto, em 1999. Quatro anos seguidos, quatro vitórias, iguala-se a Kankkunen e torna-se o piloto com mais títulos mundias seguidos.
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Entre os dois, a semelhança da nacionalidade: finlandês.
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São treze títulos mundiais, ídolos nórdicos para dar e vender, a Finlândia parecia imbatível. Assim ficou por quatro anos, quando deu Groholm (FIN), Burns (ING), novamente Groholm (FIN) e Solberg (NOR).
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E aí apareceu o menino. Bonitinho, pinta de bom moço, levou 2004. No pódio, deu seus mortais da época de ginasta.
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2005.
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2006.
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2007.

Pronto.
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Alcançou o recorde de Kankkunen e Makinen - duplamente em relação a Tommi, já que todos os títulos foram seguidos.
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Não só isso: por dois anos, ganhou em cima de um finlandês de cara amarrada, bi-campeão.
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Outro menininho apareceu. Na certa esse seria o cara que acabaria com a seqüência de títulos. Também com pinta de bom moço, não tão bonito assim. Mikko Hirvonen já havia mostrado serviço em 2007, em cima, também, do finlandês bi-campeão.
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Foi indo líder até a Alemanha, quando um pontinho separava França e Finlândia. Saiu vice, vice continuou. Loeb passou a dominar, deve ser herança de Napoleão esse negócio de querer conquistar tudo.
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Chegou ao Japão precisando de um terceiro lugar. Conseguiu. Chegou líder, saiu campeão.
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É um campeonato histórico. A Finlândia, soberana, viu sua supremacia cair. Loeb agora é o maior campeão de todos os tempos, tem cinco títulos consecutivos e, de quebra, ganhou o maior número de especiais (46) e tem o maior número de vitórias seguidas (10). É supremo.
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A França não passará a Finlândia em campeonatos ganhos - 13 contra 6. Mas terá o orgulho de falar: "tão vendo aquele molequinho ali, que desbancou Juha Kankkunen e Tommi Makinen? Ele é francês!"
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Em tempo: ele não tem mais cara de molequinho. Acho que o tempo fez bem a ele, não?


(Crédito da foto: Citroën)

domingo, 2 de novembro de 2008

Devaneios pós-corrida (2)

Confesso: não achei que Lewis Hamilton ia segurar a barrar. Estava crente que ele tentaria de todas as maneiras assumir a ponta da prova, que não ia se segurar. E o perigo estava ali, nessa afobação para ser o primeiro, mesmo que, na posição em que estava, já garantisse o título.

Mas soube. Manteve-se ali, no lugar dele, só esperando. Deu sorte, também. Se bem que sorte não é a palavra certa. A Toyota arriscou, manteve o pneu pra seco e deu no que deu.

Mais do que merecido, o título de Hamilton. Perder novamente na última prova, sem ter cometido besteira na corrida, era demais.

Amanhã, na hora em que eu estiver saindo de casa, espero que o inglês ainda esteja festejando. Ele merece.

Devaneios pós-corrida

Glock "passou a ser o piloto mais odiado da torcida brasileira". O mote desse post é a frase do Pandini em seu blog. Na minha lista do msn, pelo menos cinco pessoas exibiam em seus nicks "Glock, vai se foder" e suas variantes - o exemplo não era o mais agressivo, podem acreditar.

Confesso, a minha primeira reação foi xingar o Glock. Quando Vettel passou Hamilton, fiquei sem palavras. Comecei a roer os dedos, só passava pela minha cabeça "será que dá?" Paguei minha língua. Gritava "eu sabia, Vettelzinho! Eu sabia!" Mas, ao mesmo tempo, deu uma pontada: seria mais um campeonato perdido na última prova. Não gosto das declarações de Hamilton, mas ele é um puta piloto, ninguém pode negar. Não merecia.

E aí Massa passou a linha de chegada, todo mundo começou a gritar. Foi quando eu falei: vamos esperar o Hamilton passar, galera.

Apareceu quinto lugar na classificação, ficamos um tempo sem entender até que apareceu a imagem. "Foi comprado", a reação geral. Falei com a Alê, indignada. Ela perguntou: "Você ouviu o Fábio?"

Tinha ouvido o final, não tinha entendido nada. "O pneu do Glock tava na lona". Rebati que os dois tinham passado e ele tinha retomado. Ela contra-argumentou. Revi a cena e percebi que estava errada: retomou nada, retardatário chegou a passá-lo.

O Fábio foi ver o estado do pneumático. Em seu blog, confirmou: não tinha condições.

Vendo a cena, o tempo e tendo o depoimento de Seixas, não crucifico Glock. A culpa não foi dele. Mas, sei não... tenho certeza que muita gente que antes nem sabia quem era o ser, agora não quer vê-lo nem banhado a ouro.

Devaneios pré-corrida (3)

"There goes (VAROOM! VAROOM!) that Kandy Kolored (THPHHHH!) tangerine-flake streamline baby (RAHGHHHH!) around the bend (BRUMMMMMMMMMMMMMMM)" T. Wolfe

Largada às três e dez, rádio sintonizado na Bandeirantes desde o meio-dia.

Alê falando dos grid boys, Fábio solta "mas tem eu aqui no grid".

É isso aí, galera. Vai começar. Bom GP!!

Devaneios pré-corrida (2)

"Além de pouco peito, ele tem pouca telha. Vai ficar careca logo."

Foi o que me disseram lá de Interlagos. O comentário, claro, é sobre Kovalainen.

"O Alonso é lindo mesmo, viu!"

O mundo não tem só notícia ruim.

Devaneios pré-corrida

(a única vez que dou palpite, erro... humpf)

Existem vários telões espalhados pelo Salão do Automóvel. Um deles fica no estande da Citroën, ao lado da Porsche.

Quando cheguei, começava o treino classificatório da F1. Na sala de imprensa, eu e um japa tentávamos sintonizar a tevê na "Grobo". A imagem ficou meio ruim, mas não importa.

Parti para o estande da montadora alemã. Tendo todos os telões sintonizados na emissora-mor, senti-me emocionada. Eu sei que parece besteira, mas amo o esporte a motor, e ver toda aquela gente, aquele mundo de pessoas parado nos corredores, arrumando um lugarzinho pra sentar porque ali começaria a disputa pelo título, tudo aquilo fez meu coração bater mais forte.

Na primeira vitória do Massa, desci as escadas correndo, os olhos cheios de lágrima, para falar pra minha mãe: "O Massa ganhou!"

Hoje em dia, não sinto a mesma coisa pelo brasileiro. Não que o ache ruim, longe disso. Mas acho que Hamilton tem mais pinta de campeão que ele. Talvez não no Brasil, onde a Globo faz questão de transformar Massa em um herói, em um Felipríncipe, como disse a Caras certa vez, mas no resto do mundo acho que, se ele for campeão, será tão empolgante quanto Raikkonen no ano passado. Daqui a alguns anos, será difícil lembrar quem foi o campeão de 2008.

Veja bem, não estou falando que torço contra o Massa. Só não iria me empolgar tanto. E vai ser difícil engolir a Globo falando dele 24 horas por dia, as pessoas que nem sequer lembram que Fórmula 1 existe gritando que já sabiam, etc. Porra, tem coisa que enche mais o saco do que aquele cara que não acompanha nada de F1 vir te perguntar "e o Massa, como tá?"

Ainda aposto em Hamilton para campeão, mas as chances de Massa aumentaram consideravelmente. Como bem disse o Fabrício, Alonso vai vir com tudo para passar o inglês - não acho, porém, que ele vá ficar no S.

Lá no Salão, quando Massa fez o melhor tempo, todo mundo foi à loucura. E quando Raikkonen ficou à frente de Hamilton, então? Vixe! Emocionou!

sábado, 1 de novembro de 2008

Ué?

Entrava no metrô, o rádio já falhando, ouço que Lemyr Martins dará entrevista para a Bandeirantes falando de seu novo lançamento.

Ué? Não foi esse novo lançamento que, no dia 29, foi retirado de circulação pela Panda Books - editora do livro e nenhuma relação com o senhor Pandini?

Infelizmente não pude ouvir a entrevista - coloquei um amigo para fazer o trabalho, mas ainda nao falei com ele - e fiquei um pouco curiosa. Lemyr está gagá, disse-me um jornalista. Na segunda, Martins me confirmou que Dona Idely, mãe "sequestrada" de Rubinho, estava no Brasil durante a corrida da Áustria de 2002.

Como assim? No livro não está explícito que ela se encontra na Áustria, sequestrada pela Ferrari?

Tenho certa pena de Lemyr.

(na sala de imprensa do Salão, correndo pro estande da Porsche. Acho que dá Alonso na classificação.)

quarta-feira, 29 de outubro de 2008

Até tu, Gabriel?

Estava na sala de imprensa do Salão, era perto de seis da tarde. Toca meu celular.

"Alô?"

Do outro lado, uma voz de criança. De menino. A única criança que ligaria no meu celular é minha irmã.

Aí deu o clique.

"Gabriel?"

Gabriel Pandini, o dono do Saco de Batatas. Me ligando para falar de quem?

"Eu fiquei sabendo que você gosta do Kovalainen! E minha mãe chamou o Kovalainen de frango caipira, né?"

Alê, Panda, meu pai. Agora até tu, Gabriel?

domingo, 26 de outubro de 2008

Troy Bolton é Jack Sparrow

A fila de Piratas do Caribe 3 foi um show a parte. Assim que abriram a porteira... quer dizer, assim que a fila foi liberada, aquele mundo de pessoas começou a andar desgovernadamente, todos só com um objetivo: chegar antes que todo mundo. Assustada, segurei a mão da minha amiga e deixamos que a multidão nos arrastasse. O filme, claro, era uma desculpa de 9 entre 10 meninas para verem Johnny Depp - convenhamos, o cara é fantástico no papel de Jack Sparrow (não que elas estivessem interessadas na atuação...)

Achei que aquele era o ápice, o clímax da minha vida de estréias. Enganei-me.

Quando entrei no cinema do Eldorado, me espantei. Um bando de crianças amontoavam-se na fila para High School Musical, meninos e meninas vestidos como os personagens, loucura, loucura, loucura! Pior que as filas de Harry Potter! Pior que Piratas do Caribe!

Entrei na sala e encontrei minha mãe e minha irmã em duas poltronas do canto. A sala parecia um verdadeiro campo de guerra. Crianças gritavam, subiam, desciam as escadas.

Durante os trailers, um garoto ainda agitou: "Qual é o time?" E os outros respondiam "Wild Cats!" Fiquei esperando a Ola - não veio.

Logo na primeira cena do filme, lembrei de Jack Sparrow. Aparece o rosto de Troy Bolton preenchendo a tela inteira, o cinema vai à loucura. "Aaaaaaaaaaah!" Aquele monte de menina começa a gritar, tal qual em Piratas do Caribe, quando Johnny Depp aparece com o peito desnudo.

O filme foi inteiro assim. Gritos, gritos, gritos, "pissssssh". Dublado, ainda, o negócio piorava. Acabou, as meninas continuavam a gritar. Sei lá, acho que a Vanessa Hudgens não causa tanto rebulício quando Zac Efron. Ou mulher que é mais escandalosa mesmo - e acho que essa alternativa é a correta, já que, em Piratas, quando Keira Knightley apareceu, nenhum homem começou a fazer escândalo.

Ah, sim! High School Musical conseguiu passar muito bem de filme com orçamento baixo para super produção. Continua sendo o filme inocente para crianças, com muita música, dança e escolas sem aula. Eu gostei.

Genoíno, Genoíno... (2)

No dia doze de maio, cruzei com José Genoíno pela segunda vez.

Na sexta-feira, estava indo do trabalho para o Shopping Eldorado. Fiquei um tempão parada entre o último ponto da Consolação e o primeiro da Rebouças. Atrasada, desci na Clínicas e fui pegar um táxi.

O sinal fechou, olhei para trás e ali estava ele! Camisa branca listrada de rosa, dentro de um Fox. Não consegui acreditar. Só fiquei convencida quando vi meia dúzia de pessoas acenando para o cara.

Se ao menos fosse............... alguém me fala o nome de um deputado bonito?

sexta-feira, 24 de outubro de 2008

Fedeu

Há seis anos atrás, algum elemento resolveu criar uma piada - que, diga-se de passagem, é divertidíssima - a respeito do GP da Áustria de 2002. Para quem não se lembra, essa foi aquela corrida do dia das mães, em que Barrichello deu passagem para Schumacher. E para quem está com preguiça de entrar no site, a piada basicamente descreve um diálogo entre Barrichello, Jean Todt, um suposto Karl Scheister e D. Idely, mãe do piloto brasileiro. Na conversa, Todt pede que Rubens dê passagem para Schumacher. Tendo o brasileiro se negado a fazer isso, coloca Karl "na linha" - lembre-se, Rubens estava no meio da corrida. O cara começa a ler as cláusulas do contrato e ameaça tirar Lulu de Rubens - sim, Lulu é uma cadela. Depois, colocam D. Idely no rádio, devidamente seqüestrada, vendada e desesperada. O desfecho, vocês já sabem. Lembrem-se do que falei acima: isso é uma piada.

Lemyr Martins era um cara que, para mim, nem cheirava nem fedia. Por muitos, era tido como um grande jornalista, um mestre, um veterano, blá, blá, blá.

E o que o cu tem a ver com as calças, perguntam vocês.

Pois bem.

Há algumas semanas, Panda veio me contar um fato curioso: um leitor do GP Total perguntava sobre o diálogo ocorrido durante a corrida supra-citada e revelado em um livro. Ele foi conferir. E a história que ele contou foi tão absurda que também fui atrás da publicação.

Rolei de rir quando li, nas páginas do livro "Histórias, Lendas, Mistérios e Loucuras da Fórmula 1", do glorioso Lemyr Martins, a tradução daquela piada. Claro, na época eu não tinha idéia de que era uma piada, achava que o próprio Lemyr havia inventado e publicado como verdadeira. Mas o negócio era tão absurdo, mas TÃO absurdo, que não tinha como acreditar nisso!

Não comentamos nada. Vez ou outra colocávamos "salve a mamãe!" ou "a Lulu não!" no meio de uma conversa, mas o negócio morria ali. Virou motivo de chacota.

A coisa fedeu.

O Lance! publicou o texto ontem a noite. Mais que rapidamente, Ivan Capelli deu uma googlada no tal Karl-tanto-faz e descobriu o diálogo original - aquela piadinha do começo do post. Divulgou o fato em seu blog. O negócio caiu na rede: Victor Martins, Flávio Gomes, Panda, Rodrigo Mattar. Todos comentam - com mais propriedade que esse projeto de jornalista que vos fala - o causo. O Grande Prêmio colocou como chamada principal.

Antes mestre, Martins - o Lemyr, não o Victor - mostrou-se um verdadeiro charlatão. Não consigo achar palavra que defina o que ele fez. É um absurdo, um desrespeito com todos que, de alguma forma, estão relacionados à história - seja como personagem, seja como leitor. É uma filha-da-putice de maior escala. É um desfavor para a classe jornalística. É nojento.

O negócio fedeu para Lemyr Martins. Bem feito.

PS: não deixem de ler o diálogo - na internet, por favor, não indico tal publicação! Dei altas risadas!

quinta-feira, 23 de outubro de 2008

Não rola

Felipe Karyne acaba de me mandar um e-mail. Diz que adorou a nossa conversa no bate-papo e me mandou algumas fotos suas para "ver se rola".

Não entro em sala de bate-papo desde os meus doze anos. Poxa, Felipe! Você sempre foi atrasado desse jeito?

Frase do dia

"Agora sim eu posso dizer que o Kovalainen não tem peito para Fórmula 1" (LAP)

quarta-feira, 22 de outubro de 2008

Franguinho Caipira

Quando eu confesso que Heikki Kovalainen não tem muita serventia, é que o negócio está sério.

Pois a Alê pisou com salto fino no finlandês. Sim, eu já tinha visto as tais fotos da propaganda da McLaren. E sim, tinha me decepcionado com o que vi. Era o que restava do Kovalainen: sua beleza física. Mas...

E por que a Alê pegou pesado? Porque ela resolveu colocar as fotos na blogosfera! E ali está Heikki Kovalainen, peitoral de frango caipira, no blog da jornalista.

Mas não precisam reparar nele, não. Hamilton vale mais a pena.

segunda-feira, 20 de outubro de 2008

Há finlandeses e finlandeses....

Os dois finlandeses da Fórmula 1 deste ano estão em situações bastante parecidas - o que coloca os dois postulantes ao título também em situações semelhantes. Calma, sei que Hamilton depende de muito menos para ser campeão - são sete pontos, afinal, e sete pontos não são pouca coisa. O que digo é que os dois, para vencer, não podem pensar em depender de seus companheiros de equipe - Raikkonen e Kovalainen.

Na Ferrari, temos Raikkonen. Inconstante e imprevisível. Já falei, com ele só acredito vendo. Não creio que vá fazer um mínimo esforço para ajudar Massa. No máximo, tirar o pé. E acho que já é querer demais dele!

Do outro lado, Kovalainen. Ele, coitado... nem se quisesse. Fez um campeonato bem ruinzinho, tendo como ponto alto uma vitória que caiu em seu colo. Contar com um piloto que tem os resultados que teve neste ano com uma McLaren é dar um tiro no pé.

Com isso, seja por falta de vontade ou falta de pilotagem, os dois têm mais coisa em comum além da nacionalidade: são coadjuvantes com poucas chances de ajudar os protagonistas.

domingo, 19 de outubro de 2008

Aula de literatura

O ano, 2003. O mês, agosto.

Foi ali que voltei a acompanhar a fórmula 1. Na época, Michael Schumacher desfilava toda sua supremacia pelas pistas do mundo. Naquele mês de agosto, lá pelo dia 20 e alguma coisa, Fernando Alonso venceu sua primeira prova, na Hungria. Foi quando achei que o mundo da F1 tinha solução, Schumacher não reinaria para sempre. Um pouco mais de dois anos depois, o espanhol era coroado como campeão, e eu gritava pela casa de felicidade.

Eu estava na oitava série quando Alonso ganhou pela primeira vez. Naquela época, estudávamos em literatura poesia surrealista - até hoje tenho que esse tipo de poesia é uma arte meio fumada. Professores de literatura/redação e de educação artística estão sempre tentando criar novos escritores e artistas plásticos. Pois a professora inventou que todo aluno deveria criar poesias surrealistas. As melhores seriam expostas na mostra cultural. Fiz quatro, uma delas eleita para figurar no evento. Não era a que eu queria, confesso. Aquela era em homenagem a um amigo meu, bem bonita, mas a que mais gostei foi outra. E, se a minha professora não soube apreciar tal forma de arte, deixo para vocês a minha obra-prima:

Sem título

No chão, a terra
No asfalto, um rosto bonito
Uma roda voa no ar
Com suas asas de metal
Aplausos para o jovem
Banhado em champanhe
Salve Alonso! Salve a Espanha!

O erro que não veio

Não sei se vai ser exagero meu, mas acho que a maioria das pessoas assistiu ao GP da China crendo em lambança de Lewis Hamilton. Pois é. Não veio. O inglês liderou de ponta a ponta a corrida chata.

Ouvi o GP do conforto da minha cama, sempre preparada para sair correndo pra sala e ligar a tevê. O momento não veio, a prova foi um saco e eu me poupei de sofrer com o frio da madrugada.

Eu também esperava um erro de Hamilton logo no começo. Pela cagada da China, achei que o cara ia ver de novo e de novo o filme de 2007. E, tentando ao máximo não repeti-lo, faria tudo igual. Não fez. Mas não estou convencida. Hamilton está - novamente - com os nove dedos na taça. Ora, ele também estava no ano passado, não estava? E aí? Manterá a disciplina que o engenheiro da McLaren ressaltou no final da corrida? Ou repetirá a dose de 2007?

Ele só precisa de um quinto lugar no Brasil para ser campeão. Mas, para um piloto afoito como ele, um quinto, nessa situação, pode não ser das coisas mais fáceis.

Em tempo: confesso, com Kimi Raikkonen eu costumo lidar assim: só acredito vendo. Por isso fiquei com o pé atrás quanto à história dele deixar Massa passar. Por mais que concorde com o Cacá Bueno - ele é um funcionário da equipe e, como tal, deve lutar pelo triunfo do time, não pelo seu prório -, sei não...o cara é meio imprevisível. Achava mais fácil ele ajudar Massa sem querer - de repente, ele tentava uma passagem sob Hamilton e fazia lambança - do que fazer um jogo de equipe. Bom, parece que eu estava errada.

Em tempo²: a Alê acabou com a moral - ou o que restava dela - do Kovalainen durante a transmissão da BandNews. E o pior de tudo: eu concordo. Por isso, repito o que ela já falou: parabéns, Kovalainen. Mas só pelo seu aniversário.

sábado, 18 de outubro de 2008

Sinceridade é tudo

"Boa noite, moça! Eu sou mulata, mas eu não sou ladra. Eu moro na rua, ali embaixo do viaduto. Fui pra noite e agora queria ficar de ressaca em casa. Eu já tenho 60 centavos, a senhora não pode contribuir com algumas moedinha? Minha mãe não sabe que eu moro na rua, queria curtir a ressaca na minha casa."

Atônita, acompanhei com os olhos a mulata com brinco de pena tentar a sorte com duas garotas.

E...2000?

Ao que parece, esse blog passou as barreiras dos dois mil acessos.

O Pitacos nunca foi um blog muito ambicioso. Foi criado em uma época em que, pré-vestibulanda, estava afastada do rally. Também queria soltar algumas palavras sobre Fórmula 1 e afins, mesmo que não fosse muito a minha praia - ok, continua não sendo, mas eu melhorei, vai!

Acabou que usei esse espaço para despejar tudo quanto é porcaria que vinha à minha cabeça. De baboseiras a assuntos um pouco mais sérios. Entre isso tudo, sempre o esporte a motor.

Coloquei o contador de acessos mais por diversão própria do que qualquer outra coisa. É curioso ver que algumas pessoas estão dispostas a gastar alguns minutos do seu dia para ler as coisas que escrevo aqui.

Segundo o Hit Counter, ontem 120 pessoas acessaram esse blog. 120? O número me pareceu absurdo demais. Como hoje voltou à quantidade normal, acho que essa mais de uma centena é um lapso, uma pane no sistema. Então, não sei bem ao certo se comemoro ou não.

Pensando bem, vou começar a postar mais fotos do Alonso aqui...

sexta-feira, 17 de outubro de 2008

Maria Gasolina



Vai ser lindo assim em Xangai!

Crédito da foto: Tazio

quarta-feira, 15 de outubro de 2008

Cadê as latas de lixo de São Paulo? (2)

Em abril, fiz um post sobre a falta de latas de lixo em São Paulo.


Pois segunda-feira, caminhando pela Paulista, logo no comecinho da avenida, achei isso:



Jogada assim, a lata de lixo parecia um morto no meio da calçada. Mais para frente, um homem colocava outra lata de volta ao seu lugar.

Achei as latas de lixo de São Paulo. Estão por aí, jogadas no chão, obra de algum filho-da-puta que gosta de destruir o patrimônio público.

terça-feira, 14 de outubro de 2008

O salto

Nunca fui muito consumista. Consigo perfeitamente viver sem, a cada semana, adicionar uma peça nova ao meu guarda-roupa. Claro, todo mundo tem suas fraquezas. Eu, por exemplo, não posso sair de uma livraria se sacola. Da última vez que fiz isso... bom, deixa pra lá. Só digo que Pierre Lévy ficou feliz comigo.

Pois hoje caminhávamos, eu e a Aline, alegres e contentes pelo Shopping Paulista. Eis que ela surge. Linda, um salto fininho e todo trabalhado, preta, de cetim.

Usei como desculpa o Salão do Automóvel, daqui a menos de duas semanas, mas poderia ter usado a festa no dia onze ou o casamento no dia 29. Tantúfas. Foi arrebatador, amor à primeira vista, qualquer coisa viraria desculpa.

Pedi ao vendedor o tamanho 33. Aí estava o principal obstáculo. Tenho pé de Cinderela, quase nada cabe. Por isso uso sempre tênis, tênis eu posso comprar tamanho infantil e ninguém vai notar - ok, agora todo mundo vai começar a olhar para meus pés. Tipo aquele episódio do casamento do Chandler e da Mônica, quando descobrem que o Joey tem pé pequeno, sabe?

Então eu tenho um pé minúsculo. Pra vocês terem idéia, tenho um sapato social, uma sandália de festa e uma bota de salto fino. Ponto final. Por isso raramente me apaixono perdidamente por um sapato. É quase um amor impossível, que quando começa você já sabe que vai acabar em merda.

O cara veio com o número 34. "É grande", disse Aline. Concordei, sorumbática. O negócio parecia enorme para os meus padrões pesísticos.

Pois calcei-o mesmo assim.

É difícil descrever essa sensação. Você se olha no espelho e diz: "Uau!" É como se, a partir daquele momento, o mundo estivesse em suas mãos - claro que, dependendo do sapato, um tempo depois você nem vai se lembrar do mundo em suas mãos. Só vai pensar no pé e naquela dor insuportável.

"Um bom salto escolhe você, e não o contrário", diria Manolo Blahnik (dá uma googlada, dá). E aquele salto definitivamente me escolheu. Tanto é que, logo que cheguei no escritório, estiquei a peça para o Pandini. "Bonita". Homem não sabe dessas coisas.

Deixei-a ao meu lado, como se fosse um bibelô. Linda, linda.

Quando a Alê chegou, mostrei a sandália, toda feliz. Ela me entende. Te empresto de vez em quando, tá?

ps: sim, eu sei andar em um troço desses! "Andar de salto alto é como andar de bicicleta", diria Camilla Morton.

pss: e sim, ela está ao meu lado nesse exato momento. Linda. Maravilhosa.

Ai... tô apaixonada...

segunda-feira, 13 de outubro de 2008

Horário de Verão?

O laptop mostrava uma hora a mais. Mudei. Ele mudou. Mudei. Ele mudou. Mudei - e hoje ele já deve ter mudado.

No trabalho, a mesma coisa. Nem mexi.

Ligaram para cá, "são 16h21, né? Ah, não, desculpa, são 15h21!" O relógio do computador da moça também tinha mudado, provavelmente.

Por que essas porcarias resolveram adiantar em uma semana o horário de verão?

domingo, 12 de outubro de 2008

Outra vez Tião

Sébastien Loeb levou mais uma. Faturou pela trocentésima vez a Tour de Course - mesma prova em que morreu, doze anos atrás, aquele que seria um dos maiores pilotos de rally. Com isso, Tião - e Elena, seu navegador há mais de dez anos - conquista sua 46ª vitória em WRC. Caminha fácil para o quinto título mundial. E, de quebra, será o maior vencedor de campeonatos da história - e acho que deixar Juha Kankkunen e Tommi Makinen pra trás não é pra qualquer um.

Mas Sébastien Loeb, sabemos, não é qualquer um.

Dose dupla

Não assisti à corrida, mas pelo que li, Hamilton gostou tanto do final da temporada passada que está pensando em repetir a dose neste ano...

quarta-feira, 8 de outubro de 2008

A favor dos Glutões

Venho adiando um post a várias semanas. Já tem até um título, "glutões imperialistas", mas o meu lado PETA - ia usar Greenpeace, mas não gosto do Greenpeace, me ofendi outro dia na faculdade por me chamarem de Greenpeace - falou mais alto.

Apesar do nome feio, o Glutão é um mamífero onívoro que, segundo a wikipedia, se assemelha a um pequeno urso. Mas no artigo aparece aquele negocinho de texto pouco confiável, e é mesmo, porque o glutão se parece mais com um guaxinim gigante. O bicho que teoricamente foi inspiração ao Wolverine - carcaju, outro nome que o Glutão tem, em inglês é wolverine, mas não vejo semelhança entre eles - está em extinção.

Então fiquei com dó de chamar os estadunidenses de glutões - nenhum animal merece tal insulto.

Pensei em porcos, mas lembrei que, quando era criança, queria ter um leitão (também queria ter uma raposa vermelha, um tuiuiu, uma jaguatirica, mas isso não vem ao caso). O lado sentimental falou mais alto.

Baleia também não ficou. Pobres baleias. Se os caras do Greenpeace se colocam na frente delas, elas devem ser importantes pra chuchu - eles só fazem isso com coisas importantes. Os glutões, por exemplo, não mereceriam esse apoio.

Depois de tudo isso, ficaria quase que carinhoso chamar esses caras de glutões.

Maldito PETA.

terça-feira, 7 de outubro de 2008

Sébastien "Schumacher" Loeb

Lá em fevereiro, escrevi sobre como o ano começou mal para Sebastien Loeb. Naquela ocasião, o francês estava em terceiro no campeonato, empatado com Latvala - que acabara de ganhar sua primeira prova - e atrás de Hirvonen.

A tabela mudou. Sébastien Loeb está doze pontos à frente de Hirvonen, tem nove vitórias em doze provas e caminha para o penta-campeonato.

Já faz algum tempo que comparo-o a Michael Schumacher. Pelas quebras de um monte de recordes? Talvez. Sébastien já bateu uma série deles - não chega aos pés de Michael Schumacher, mas o francês ainda tem muito chão pela frente. Não é pela carreira vitoriosa, porém, que Loeb e Schumacher são tão parecidos na minha cabeça.

Lembro de quando ele ganhou o primeiro WRC, em 2004. Campeão de ginástica, comemorou dando alguns mortais. Mas acompanhar o campeonato nessa Era Loeb é quase tão sacal quanto a Fórmula 1 na Era Schumacher. Veja bem, eu disse quase!

Porque dos quatro campeonatos e meio - ainda faltam três provas para o final da temporada atual -, apenas dois foram ganhos com facilidade - aqueles em que competiu contra Petter Solberg e a decadente Subaru. Com a Ford ganhando espaço, porém, os dois últimos campeonatos foram disputados, com uma diferença de dois a quatro pontos. E o desse ano, bom... é só ver os resultados.

Mas mesmo com isso, existe aquela coisa de "ah, não, o Loeb ganhou de novo!", igualzinho a quando Michael ganhava outra e outra vez. O próximo campeão trará o mesmo ar de esperança que Alonso trouxe em 2005. Aquela coisa de "ufa, Sébastien Loeb/Michael Schumacher não é o único que pode ser campeão".

segunda-feira, 6 de outubro de 2008

Caveirão

Eu vi um Caveirão. Eu só tinha visto Caveirão em foto, uma vez a Piauí fez uma matéria sobre ele. Parece um carro-forte, aqueles de transportar dinheiro. Carro-forte eu já vi de monte. Caveirão, não.

Era perto das onze da noite, cruzávamos a Linha Amarela rumo a Jacarepaguá, Jacarepaguá em que eu nasci e vivi durante os três primeiros anos da minha vida. Foi ali no caminho que apareceu o Caveirão. Vinha correndo do outro lado da via, na direção oposta. Se ficou dois segundos no meu campo de visão, foi muito.

Não parece que tem alguém dirigindo o Caveirão. É um veículo grande e preto que se dirige sozinho.

Diversas outras coisas foram se acumulando à imagem do Caveirão: o sargento avisando que duas viaturas com o TRE estavam subindo o morro, as casas pintadas à vontade do CV e do Primeiro Comando. E o tanque.

Quando saía de lá, vi um tanque com o cano virado para a favela. Do lado dele, duas viaturas do exército. Parecia que só eu notava isso. Assim como só eu notei o Caveirão.

Foi a primeira vez que saí do Rio com o coração pesado. Aquela não é mais a cidade dos banhos de mar, dos passeios na Lagoa. Não é. A minha cidade virou - o quê? Não sei. Virou alguma coisa que eu não conheço mais, uma realidade que eu não conheço mais.

Queria que ela não precisasse de Caveirões.

segunda-feira, 29 de setembro de 2008

1.9

Os dezoito, vejam só, ficaram para trás.

Com direito a Alonso ganhando em Cingapura - há quanto tempo não ouvia aquela mistura de hino! -, torta de queijo, fondue de chocolate e bolo. E lembranças. Lembranças de quem mora longe e sinto saudades, de quem mora perto e também sinto saudades, de quem vejo todos os dias, de quem via todos os dias, de quem vejo por acaso no meio da rua, de quem me vê uma vez na vida, de quem não vejo mais.

E, no final, é isso que torna esse dia tão importante: saber que pessoas, "aquelas" pessoas, apesar do tempo, apesar de tudo, não te esqueceram.

sábado, 27 de setembro de 2008

Cérebro de Minhoca

Sabe quando aquele cara lindo vem falar com você? E aí você só fica pensando "meu Deus, ele tá vindo falar comigo!!"? E fica toda animada, toda feliz?

Mas aí... ele abre a boca. E você descobre que o cara tem um cérebro de minhoca. Toda aquela excitção vai embora, você literalmente murcha.

Cingapura é mais ou menos assim.

A corrida mais esperada, circuito novo, prova noturna. E chata.

Já bateram milhões de vezes nessa tecla, chega a atrasada-mor pra falar o que todo mundo já sabe. E eu ligo?

Só vi os carros na pista hoje, durante o treino oficial, então só agora posso dizer: o circuito é travadíssimo, ultrapassagem vai ser um animal quase extinto. Aliás, todos os pilotos já falaram que ultrapassar será missão para o Tom Cruise - menos Hamilton, que não gosta do ator e não sabe o que é chicane.

Se a chuva não vier - chuva, esse fênomeno fantástico que transforma corridas chatas em corridas legais -, Massa larga na pole, Massa ganha a corrida.

E do mesmo jeito que a corrida vai cansar de tão chata, também vai cansar ver neguinho saindo da pista o tempo todo.

Entenderam por que acho que Cingapura e o cara lindo e sem conteúdo têm tanta semelhanças?

PS: Só eu fiquei torcendo para que um milagre acontecesse e Heidfeld ou Kovalainen - e eu ficaria especialmente feiliz se fosse o finlandês - fizessem um tempo menor que o Massa? Só para ver Galvão Bueno e todo mundo que comemorou a pole ficar com cara de bunda? Ou é muita filha-da-putice e crueldade minha?

sexta-feira, 26 de setembro de 2008

Histórias da cafeteira

Contei aqui a minha saga para achar os tracinhos - inexistentes - da jarra da cafeteira.

No dia seguinte, veio Panda, muito solícito, ensinar-me como fazer essa viciante bebida. Mostrou-me até que ponto deveria encher a jarra para fazer uma, duas, três xícaras de café - se precisar de mais uma, me fodi.

Fui eu fazer o líquido preto. Botei a água, o filtro, o pó, fechei o negocinho e liguei o botão. Pronto! O café, tomável.

Veio a Alê e eu, com um sorriso de orelha a orelha, logo falei: eu faço café! Botei a água, o filtro, o pó, fechei o negocinho e liguei o botão. Mas o filtro dobrou e a jarra ficou cheia de pozinho. Decepcionante.

Ontem, sozinha no escritório boa parte do dia, fui eu me aventurar na cafeteira. Botei a água, o filtro, o pó, fechei o negocinho e liguei o botão. Em pouco tempo, já estava a jarra cheia... cheia?

Meia xícara. Foi isso que deu pra fazer com a quantidade de água que eu tinha colocado."Deve estar forte pra cacete", pensei. O caramba! Aquilo era, no máximo, água com aroma de café! Bebi - que jeito, né? - e esperei alguém me salvar. Renato ainda me deu um apoio fantástico: "você consegue errar o café na cafeteira??"

Consigo. Por isso que estou bem longe dela.

terça-feira, 23 de setembro de 2008

19ª edição

Dia 28 de setembro, às nove horas da manhã - horário de Brasília-, terá largada o primeiro GP noturno da história da Fórmula 1. Bernie Ecclestone foi feliz na escolha da data. O chefão da F-1 - tenho certeza absoluta - sabia muito bem que, no mesmo dia, aconteceria a 19ª edição da Mandy.

Décima nona edição que, para o Pitacos - e para o titio Bernie, claro! - tem tanta importância quanto o julgamento de Hamilton ou o GP de Cingapura. Para comemorar com todas as pompas merecidas, pensei naquela coisa inédita de publicar textos de diversas pessoas ressaltando quão linda, carismática, simpática, talentosa, maravilhosa, esplêndida e, claro, humilde, é a dona desse blog. Mas não estou afim de chover no molhado.

Sem idéias que preste, o Pitacos entra - com dois dias de atraso, como é habitual - na contagem regressiva para o dia 28 de setembro. Adorei o presente de aniversário, titio Bernie!

domingo, 21 de setembro de 2008

Fotogenia é tudo

A qualquer Maria Gasolina que interesse, juro que os dois são bonitos!


(crédito: cronospeed)

Sinal de vida

Os livros da estante parecem chatos demais, os DVDs devem ser um saco, o jornal - peraí, a gente ainda recebe jornal aqui em casa? - está empilhado em um canto.

Ainda não li as milhares de coisas que preciso ler, não coloquei em ordem a matéria da faculdade.

Há uma semana do meu aniversário, respondi com um "sei lá" à pergunta "o que vamos fazer?" No ano passado, meti todo mundo em uma corrida de kart.

Desânimo, preguiça, chamem isso do que quiserem. Passa.

Por ora, só deixo o recado: estou viva.

quarta-feira, 17 de setembro de 2008

E café que é bom... (2)

Acabo de lembrar: a jarra antiga, a dos tracinhos, quebrou. Lembro o dia em que descobri isso. A nova, bom, acho que ela não pode fazer muito por mim.

Adeus, café.

E café, que é bom...

Me falaram de uma história de marquinha na jarra da cafeteira. Disse o Panda que, por aqueles tracinhos, eu saberia quanto de água colocar para uma xícara, duas, três, sei lá quantas eu consigo fazer nesse treco. Na época, juro, enxerguei os negocinhos.

Faz dez minutos que estou segurando a bendita da jarra. Já olhei tudo, TUDO, e não acho os riscos. Suspeito que alguém apagou-os.

Das duas, uma: fico sem café ou arrisco uma quantidade - minha experiência nisso não é das melhores...

É, Panda...a vida é difícil...

segunda-feira, 15 de setembro de 2008

O umbigo dos outros

Na sexta-feira, voltei do trabalho de ônibus. Fui direto pro ponto final, sempre conseguia um lugar para sentar quando pegava a condução ali.

Eram seis da tarde.

Veio cheio, bem cheio. Até estranhei. Na hora que entrei, ouvi as reclamações dos outros passageiros: "nós estamos esperando há uma hora, cobrador!" O cara respondeu que ficaram cinqüenta minutos parados em algum lugar, o trânsito tava ruim. Novidade, trânsito ruim em São Paulo.

O troço enchia a cada ponto. Além de ir em pé, me senti uma sardinha em lata.

Começou uma discussão entre um grupo de passageiros sobre o desrespeito da empresa de ônibus. Reclamaram - de novo - com o cobrador, depois se desculparam, sabiam que ele não tinha nada a ver. Iam ligar para reclamar. Mais uma novidade: o transporte público em São Paulo é uma merda. Não tem ônibus suficiente, vive tudo lotado. Puxa, o dia estava cheio de surpresas!

Mas aí aconteceu uma coisa estranha. Todos aqueles passageiros justiceiros começaram a gritar para o motorista não parar em mais nenhum ponto, só se fosse para as pessoas descerem. Não era pra deixar mais ninguém subir.

Já disse, estávamos feito sardinhas em lata. Mas se nós - eles, porque logo que cheguei, o ônibus parou no ponto, esperei uns cinco minutos - esperamos todo aquele tempo, imagina o povo que estava pelo meio do caminho? Essas pessoas não têm o mesmíssimo direito de embarcar que nós tivémos? As mesmas sardinhas que gritavam por respeito aos passageiros estavam, agora, tão ávidos para chegar em casa que não davam chance para mais nenhuma sardinha entrar na festa!

Na verdade, queixavam-se apenas por estarem eles naquela situação. Entendo que queriam chegar logo em casa, eu também queria ir pra casa logo, pombas! Mas assim como nós, as pessoas que esperavam nos pontos também estavam loucos para sair dali. Quem deu o direito de escolher quem entrava? De serem "O Garra"? - assista Toy Story que você vai entender.

Todo mundo olhava para o próprio umbigo. Talvez se olhássemos um pouquinho para o umbigo dos outros, o mundo teria sardinhas muito mais felizes.

domingo, 14 de setembro de 2008

Bienvenido!

O dia foi para - tentar - me atualizar das novidades off road. E dentre as muitas coisas que vi e pesquisei hoje - e que vou colocando aqui aos poucos -, resolvi soltar essa.

Quem costuma acessar o blog sabe que essa história de Dakar na América do Sul nunca me animou muito. Quer dizer, sejamos sinceros, Dakar que é Dakar termina em... Dakar!

Também não acho que o percurso pela África esteja morto pela eternidade. Teremos alguns anos de prova por essas bandas, talvez até engrene, mas estamos falando de uma prova que, assim que foi cancelada, já teve neguinho sugerindo um percurso alternativo, que pegasse até o Marrocos e voltasse para Lisboa - detalhe: a volta seria feita enquanto os caras estavam indo. O que eu quero dizer é: eles são doidos, gente! Estão dispostos a se arriscar!

Mas, por enquanto, o foco é o "Dakar" 2009. Sim, entre aspas, porque esse Dakar não é legítimo, termina em Buenos Aires, é do outro lado do oceano, cacete! Então é "Dakar".

O que não tira em nada o mérito da prova. Assisti hoje ao vídeo promocional da prova e, a cada cena, ia me apaixonando mais por aquela paisagem. Lindo, tudo lindo. Cheguei até a me emocionar, besteira de uma garota chorona e de TPM.

Ao que parece, não deixa nada a desejar. Vai ser uma prova fantástica, nova e tão desafiadora quanto o cenário africano. Quem duvida, pergunte para a galera que já passou por lá. Ou vocês acham que Jean Azevedo ia treinar no Atacama de bobo?

O Saara vai dar uma saudadezinha. Mas pelas coisas vistas aqui, seu sucessor vai se sair bem.

Uma prova de garotos

Acho que ninguém botava fé em Vettel. Eu não acreditava que o guri fosse ganhar, não mesmo.

Foi de ponta a ponta. Na coletiva, ele estava sem palavras - ironicamente, falava feito uma matraca. Não precisava falar nada, rapaz. Não era necessário. Aliás, não era possível. Acho que existem momentos que são indizíveis - puta merda, que palavra linda essa! Acho que vou começar a usá-la com mais freqüência, eu costumo usar indescritível, mas ela é fraca demais. Enfim...

Mas o que eu falava?

Ah, sim. Esse é um desses momentos indizíveis. Não digo pra nós, pessoas que assistem de fora e falam "uau, ele ganhou" e depois saem para almoçar. Mas para ele, principalmente. O cara pergunta: "e como você está se sentindo agora?" Feliz, radiante? O que esperam que esse garoto responda? É indizível.

Em segundo, lá estava o finlandês da McLaren. Não, o cara não fez uma puta corrida, não vou ficar falando isso. Sou realista, já disse, no começo eu nem acreditei que ele ganhou na Hungria. Largou em segundo e chegou em segundo, nenhum mérito nisso. Era mais - tá bom, ou menos - que a obrigação dele.

E o terceiro colocado, Robert Kubica. Esse sim, um feito, porque o cara largou da décima primeira posição. Acho que ninguém mais tem dúvida do talento do polonês.

E teve Hamilton. Hamilton, que largou da décima quinta posição e foi terminar em sétimo, depois de fazer uma corrida muito boa. O inglês é um daqueles caras que chega lá e faz. Ele não tem medo. O cara é bom - poxa, que descoberta fascinante! (se bem que, cara bom tem um monte. Lewis Hamilton é foda pra caramba!)

O pódio mais novo da história, o piloto mais novo a ganhar uma corrida, o que ficou pra mim foi exatamente isso, os jovens da Fórmula 1 atual. Coisa que um mundo de pessoas já deve ter falado, que eu mesma já disse algumas vezes, mas que é bom lembrar de vez em quando. Essa nova geração está vindo com tudo. E a corrida de Monza é uma grande prova disso.

sábado, 13 de setembro de 2008

Nove da manhã, horário de Brasília

Lá pelas oito e meia o celular vai tocar - o meu despertador atual é Bubly, da Colbie Caillat. Normalmente eu acordo, olho o relógio e resolvo dormir um pouco mais. Sabe aqueles cinco minutos? Pois é.

Acontece que normalmente esses cinco minutos viram dez, vinte...acordo correndo e , puf, perdi a largada da prova.

Não vai dar pra fazer isso em Monza. Em Monza terei é que acordar cedo, ligar a tevê, tirar o som, colocar na rádio Bandeirantes e ver a prova do começo ao fim.

Larga na pole Sebastian Vettel. Isso, exatamente, o garoto que é dois anos mais velho que eu, pole mais jovem da história da categoria. Kovalainen larga em segundo. Em terceiro, Webber.

Aí vocês falam: pára tudo! Cadê Massa? E Raikkonen? E Hamilton?

O brasileiro sai em sexto. Seu companheiro de equipe, décimo quarto. Logo atrás, Lewis Hamilton. Pois é, Hamilton, líder do campeonato, dois pontos à frente de Massa, ficou na Q2. Um sexto lugar nunca foi tão bom, deve ter pensado o piloto da Ferrari.

Amanhã, então, sem cinco minutos no relógio.